Representação comercial: entendendo forma e proporcionalidade para evitar risco

A representação comercial é um modelo de relação empresarial que apresenta excelentes resultados e é praticado no mundo todo.

No entanto, para que se possa alcançar o sucesso visando proporcionar um clima seguro e alcançar os objetivos de todos os envolvidos, é preciso formalizar essa relação, evitando dúvidas e riscos.

O representante comercial não é apenas um vendedor, mas um especialista em negociações, tendo por objetivo apresentar produtos, serviços e soluções ao mercado, mediante uma remuneração paga pelos empreendimentos que conferem a esses profissionais ou empresas essa possibilidade.

De acordo com o Conselho Federal dos Representantes Comerciais (Confere), no ano de 2024 o Brasil possuía quase 1 milhão de profissionais atuando nesse segmento, onde 30% de todos os negócios realizados no país passavam pelas suas mãos.

Trata-se, portanto, de uma excelente estratégia a ser adotada por empresas dos mais diversos setores. Contudo, é indispensável a adoção dos devidos cuidados para que riscos sejam evitados, como veremos na continuidade deste post!

Fundamentos do contrato de representação comercial

A representação comercial é uma atividade que tem por objetivo estabelecer relacionamentos entre as empresas que os contratam e o mercado, normalmente em negócios envolvendo corporações, ou seja, o B2B.

A Lei nº 4.886/1965, em seu artigo 1º, esclarece:

Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmití-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios.

É crucial que um contrato seja elaborado para essa modalidade de relacionamento, detalhando minuciosamente o exercício da função, bem como os direitos e obrigações de ambas as partes.

A formalização dessa relação é indispensável, ainda que um contrato verbal possa ser reconhecido pela Justiça.

Através desse documento fica estabelecida:

  • Formalização da parceria;

  • Segurança jurídica da operação;

  • Desvinculação do vínculo trabalhista (CLT).

Forma e requisitos essenciais

A formalização da representação comercial atende aos interesses dos envolvidos nessa aliança operacional que envolve a comercialização de produtos e serviços.

A partir de um contrato escrito, ficam estabelecidas as regras na relação entre representada e representante, quando se torna necessário o cumprimento das obrigatoriedades previstas na legislação vigente.

Portanto, são cláusulas indispensáveis em um contrato de representação comercial:

  • Identificação e qualificação das partes;

  • Objeto do contrato;

  • Área de atuação;

  • Exclusividade;

  • Prazo do contrato;

  • Comissões a serem pagas pela representada;

  • Condições de pagamentos dessas comissões;

  • Obrigações das partes;

  • Rescisão do contrato;

  • Foro para eventuais ações judiciais.

É preciso que o contrato não contenha vícios que possam tornar o documento total ou parcialmente inválido perante a lei brasileira.

Essa situação ocorre quando cláusulas desrespeitam normas cogentes (regras obrigatórias) presentes na Lei nº 4.886/1965 ou nos princípios gerais do Código Civil.

Proporcionalidade na remuneração e comissões

Normalmente, a remuneração prevista na representação comercial é realizada a partir de comissões sobre as vendas realizadas.

Isso significa que no contrato deve constar detalhes a respeito de:

  • Percentual ou valor das comissões;

  • Época em que será paga;

  • Forma de pagamento;

  • Bonificações e prêmios por desempenho (quando for o caso).

A falta de formalização da relação entre as partes pode causar sérios problemas para a empresa contratante.

Desse modo, a justiça tende a considerar os critérios de proporcionalidade quando uma ação é movida por algum representante que solicite remunerações vinculadas a sua atuação e dúvidas persistirem em meio às provas apresentadas.

Isso significa que os valores solicitados envolvem pagamentos retroativos e situações que geram disputas entre as partes, inclusive a possibilidade de débitos trabalhistas.

Um contrato de representação comercial bem elaborado é crucial para facilitar a compreensão da relação e garantir a correta gestão das informações sobre as transações.

A clareza nos comprovantes de pagamento, nesse contexto, é essencial para prevenir perdas financeiras.

Aspectos práticos e jurídicos controversos nos contratos de representação comercial

É de fundamental importância que se entenda que o contrato de representação comercial estabelece a relação entre representada e representante.

No entanto, muitas empresas apresentam exigências na relação que fogem ao objeto desse tipo de relação. Quando o representante possui autonomia em suas atividades, não fica sujeito a:

  • Horários de trabalho;

  • Obrigação de comparecimento ao serviço;

  • Obediência a ordens patronais.

Em muitos casos, essas situações são vistas como características de uma relação de emprego.

Portanto, existem casos recorrentes nessa relação que podem trazer grandes e futuros transtornos para a empresa contratante, tais como:

  • Obrigar o representante a todo mês comparecer à sede;

  • Determinar horário de visitas aos clientes;

  • Exigir um mínimo de contatos diários com os clientes;

  • Submeter o representante à fiscalização in loco;

  • Impor cota mínima de produção;

  • Substituir o contrato de trabalho por um contrato de representação.

Diante disso, é crucial ter atenção e cautela no relacionamento estabelecido nos processos de representação comercial. É fundamental buscar orientação para mitigar riscos e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio e a segurança na relação com os representantes.

Deseja saber mais sobre relacionamento empresariais? Leia nosso post que apresenta o contrato de parceria: tipos, vantagens e pontos de atenção!

Bruna Galiotto

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